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    March 22

    Al Berto

    E ao anoitecer

    e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
    deixas viver sobre a pele uma criança de lume
    e na fria lava da noite ensinas ao corpo
    a paciência o amor o abandono das palavras
    o silêncio
    e a difícil arte da melancolia
    March 11

    Nuno Júdice

    Plano
     
    Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
    que se despeja no copo da vida, até meio, como se
    o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
    como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
    boca. Pergunto onde está a transparência do
    vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
    de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
    são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
    da alma suja de restos, palavras espalhadas
    num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
    hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
    esperando que o tempo encha o copo até cima,
    para que o possa erguer à luz do teu corpo
    e veja, através dele, o teu rosto inteiro.